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As alterações na estrutura etária da população brasileira indicam a tendência para o aumento da expectativa de vida. Contudo, essa realidade também sinaliza maiores riscos para doenças como o câncer em idosos.

Nessa conjectura, é preciso repensar ações e políticas mais eficazes para garantir um envelhecimento mais ativo e saudável. Essa necessidade se torna ainda mais preocupante diante das estatísticas atuais do Instituto Nacional do Câncer (INCA), que apontam o aumento do câncer entre a população idosa.

Dada a relevância do tema, abordaremos informações valiosas sobre a dinâmica dessa doença que tanto compromete a saúde do idoso. Confira os principais sintomas, as medidas de prevenção e os possíveis tratamentos para reduzir o impacto do câncer na terceira idade. Acompanhe!

Entenda por que a idade é um fator de risco para o câncer

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirmam que o total de pessoas acima de 65 anos de idade será quadruplicado nos próximos 50 anos. Com isso, o número de idosos ultrapassará 58,4 milhões em 2060.

O lado negativo da longevidade é que as pessoas idosas têm mais riscos de desenvolver doenças, principalmente o câncer. O simples fato de o organismo estar em um constante processo de divisão celular já se torna uma ameaça à saúde na terceira idade.

Normalmente, durante esse processo, as alterações que ocorrem no material genético são corrigidas pela defesa imune. Porém, como característica comum do envelhecimento, essa capacidade de correção não funciona mais com tanta eficiência. Com isso, as chances para o surgimento do câncer são bem maiores.

Logo, essa maior exposição aos riscos de câncer na terceira idade pode ser controlada pelo estilo de vida. Priorizar hábitos mais saudáveis ao longo da existência pode fazer muita diferença nas condições de saúde no envelhecimento. Com o aumento da expectativa de vida, há a necessidade de criar políticas preventivas mais concretas e programas de saúde que efetivem o melhor controle do câncer em idosos.

É preciso investir, de modo mais consistente, em equipes multidisciplinares que trabalhem essa questão num contexto mais amplo em relação às peculiaridades que envolvem os desafios do envelhecimento.

Veja outros fatores que também influenciam o câncer

A prevenção do câncer engloba diferentes ações que visam à redução dos riscos de desenvolver a doença. Assim, a proposta da prevenção primária é impedir as ameaças à saúde. Entretanto, é importante adotar um estilo de vida mais saudável e evitar a exposição aos elementos causadores de câncer.

Nesse sentido, conhecer os fatores que acentuam as chances de desenvolver tais doenças permite que a população possa evitá-las. Listamos os fatores que mais contribuem para o surgimento do câncer, principalmente na terceira idade. Veja quais são!

Exposição ocupacional a agentes cancerígenos

Além do cigarro, muitas mortes causadas por câncer de pulmão estão diretamente associadas com riscos ocupacionais e ambientais. Grande parte dos novos casos de câncer de pulmão ocorre em países em desenvolvimento, e decorre da influência da poluição ambiental.

Muitos tumores têm intrínseca relação com a exposição a agentes causadores de câncer no ambiente de trabalho. Operários expostos ao amianto, à sílica e aos solventes aromáticos, como o benzeno, ou a metais pesados (níquel e cromo, por exemplo), são mais propensos ao desenvolvimento da doença.

O efeito desses elementos ainda pode ser potencializado por fatores concomitantes, e que elevam os riscos do surgimento de tumores. A poluição ambiental, a herança genética, o sedentarismo, a dieta rica em gorduras, o tabagismo e o etilismo são os que mais influenciam.

Alimentação não saudável

A ingestão exagerada de alimentos processados também leva ao desenvolvimento de câncer. Os corantes, acidulantes e conservantes presentes na formulação dos produtos industrializados têm alto potencial oncogênico (causadores de câncer). 

Outro fator importante é a relação entre o consumo excessivo de alimentos processados e a obesidade. O ganho de peso é considerado um fator de risco para o surgimento do câncer. Contudo, vale ressaltar que o câncer não se desenvolve apenas por um motivo isolado, mas sim pela influência de um conjunto de fatores.

Cultivar bons hábitos alimentares é importante para fortalecer o organismo contra infecções e doenças, inclusive o câncer. No envelhecimento, quando a defesa imune fica reduzida, o consumo de vitaminas importantes para a terceira idade é essencial. Convém priorizar também uma alimentação balanceada: rica em frutas, leguminosas, verduras e cereais integrais. 

Sedentarismo

Em qualquer idade, a prática de atividades físicas, como caminhar, correr, nadar e pedalar, é fundamental ao bom funcionamento dos órgãos. Quanto mais movimentamos o corpo, maiores são as chances de proteger o organismo de doenças como o câncer. Diante dos dados que comprovam o crescimento dos casos de câncer em idosos, convém destacar a necessidade de cultivar, o quanto antes, um estilo de vida mais saudável e equilibrado.

Caminhar ou ir de bicicleta para o trabalho, trocar o elevador pelas escadas e estabelecer momentos de lazer ao ar livre com a família ou amigos são atividades benéficas à saúde mental e física. Vale lembrar que é muito importante se dedicar a alguma atividade física. Ainda que o seu estilo de vida não permite frequentar uma academia, por exemplo, procure se adequar a atividades alternativas.

Como a atividade física promove o ajuste dos níveis de hormônios, ela reduz os riscos de doenças graves. O equilíbrio metabólico resultante do exercício físico fortalece as defesas do organismo, sobretudo na terceira idade. Desse modo, a realização de atividade física traz muitos benefícios para os idosos. Ainda que eles não tenham mais tanta disposição física, o esforço para melhorar o bem-estar e a qualidade de vida deve ser visto como um desafio constante.

Experimente fazer caminhadas leves em um parque, um alongamento ou outra atividade que seja prazerosa. Evite o sedentarismo e a ociosidade, pois vários tipos de câncer surgem por influência desses fatores. 

Alcoolismo

O uso de bebidas alcoólicas, em quaisquer quantidades, pode causar o desenvolvimento de diversos tipos de câncer. Entre os tumores que estão associados ao etilismo destacam-se o câncer de boca, estômago, faringe, esôfago, fígado, cólon e reto, além do de mama.

Essa associação entre o consumo de álcool e o surgimento de tumores é válida para todas as bebidas alcoólicas. Além disso, a combinação de álcool com cigarro aumenta a possibilidade do surgimento de doenças de forma muito mais precoce e devastadora. 

Um dos fatores que justificam o efeito cancerígeno do álcool é a facilidade desse elemento em atuar como solvente a nível celular. Consequentemente, quando chega ao intestino, ele facilita a entrada de outras substâncias cancerígenas para o interior da célula.

Entretanto, vale destacar a relação dose-resposta quanto ao efeito do consumo de álcool para o risco de câncer. Quanto maior — ou mais forte — for a dose ingerida e o tempo de exposição do organismo ao efeito da bebida, maiores serão os riscos de descontrole na proliferação celular que resulta no câncer.

Ainda que o câncer surja mais comumente na terceira idade, os fatores de influência que se acumulam ao longo da vida devem ser considerados. Isso porque alguns elementos causam mutações que se manifestarão como doença somente na idade avançada.

Tabagismo

O tabagismo é um dos maiores fatores de risco evitável de adoecimento e de causa de morte. O hábito de fumar acentua o risco para os tumores de boca, faringe, esôfago, laringe, pulmão, fígado, pâncreas e bexiga. Cerca de 30% das mortes por câncer no planeta estão associadas ao cigarro.

O principal tumor associado ao tabaco é o câncer de pulmão. Esse mesmo estudo do INCA afirma que fumantes inveterados chegam a ter 20 vezes mais chances de desenvolver esse tipo de câncer que os não fumantes.

Exposição solar

A exposição solar excessiva — e sem proteção adequada — é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pele. Em países tropicais como o Brasil, o câncer de pele não melanoma é o tumor mais comum, independente de gênero e idade. Fatores como o clima tropical, as inúmeras praias e a cultura que fomenta a ideia de beleza relacionada ao bronzeamento, principalmente entre os mais jovens, favorecem à exposição excessiva e aos perigos da radiação solar

O risco da doença é maior entre as pessoas de pele, cabelo e olhos claros. Por isso, as medidas de prevenção devem ser adotadas, sobretudo entre as crianças, pois geralmente elas se expõem ao sol muito mais vezes que os adultos.

É preciso ter muito cuidado com essa exposição excessiva à ação dos raios ultravioletas, já que a infância e a juventude são fases em que o indivíduo fica mais vulnerável aos efeitos prejudiciais do sol. A exposição cumulativa durante as duas primeiras décadas de vida eleva o risco de câncer de pele na idade adulta e na velhice.

Conheça os tipos mais comuns de câncer em idosos

Como influência de diferentes questões, algumas doenças graves costumam surgir durante a terceira idade. Porém, a realização de consultas médicas e de exames periódicos são determinantes para o diagnóstico precoce e para minimizar esses riscos. Para auxiliar na compreensão do tema, listamos os tipos de câncer mais comuns nessa fase da vida, bem como os sintomas, prevenção e os possíveis tratamentos. Confira!

Próstata

Esse tipo de câncer é caracterizado por um tumor que atinge a próstata: essa é uma importante glândula auxiliar na função reprodutora no sexo masculino. A próstata se localiza abaixo da bexiga e também envolve a uretra — estrutura que une a bexiga ao orifício externo do pênis.

O câncer de próstata costuma aparecer após os 50 anos. No entanto, é bem mais comum em homens com mais de 70 anos. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental ao controle da doença: os homens com mais de 45 anos devem se submeter aos exames preventivos anualmente.

Quando o câncer é descoberto na fase inicial, as chances de cura são enormes. Do contrário, se a doença é diagnosticada no estágio avançado, as células tumorais se multiplicam rapidamente, ocorrem metástases e o indivíduo pode ir a óbito. 

Aqui no Brasil, a incidência do câncer de próstata é altíssima: há estimativas de que 1 em cada 7 homens desenvolverão o problema. Entretanto, quando identificado no início, as chances de cura chegam a 90% dos casos.

Os principais sintomas do câncer de próstata são dores abdominais, dificuldade para urinar ou incontinência, desajustes intestinais e problemas sexuais. O tratamento varia conforme o estágio da doença, mas, geralmente, utiliza-se medicações, radioterapia e quimioterapia.

Colo do útero

Também conhecido como câncer cervical ou tumor uterino, essa doença é a terceira mais frequente entre as mulheres. Além disso, dados recentes apontam a redução das mortes, apesar de o câncer uterino ainda ser a quarta causa de óbito por tumor entre a população feminina no país.

Entre outros fatores, a doença resulta da infecção persistente por subtipos do Papilomavírus Humano (HPV). A presença do vírus não significa que a mulher terá câncer, mas que alguns casos poderão evoluir para a doença.

Por isso, a partir dos 25 anos — ou após o início da atividade sexual — é importante o rastreio de doenças como o HPV e a realização periódica do exame Papanicolau. O principal sintoma do HPV é a presença de verrugas genitais, cujo tratamento exige a remoção delas e o uso de medicamentos.

Mama

Existem diversos tipos de câncer de mama. Ademais, o comportamento da doença também é diferente, já que alguns têm evolução rápida, enquanto outros evoluem lentamente ou são assintomáticos. No entanto, grande parte dos casos tem boas chances de cura, desde que o tratamento seja efetivado no início da doença. Anualmente, o tumor de mama corresponde a 28% dos casos novos, o que torna as medidas preventivas essenciais ao combate da doença.

Os sintomas se caracterizam por dores nas mamas, inchaços e a presença de nódulos palpáveis ao toque. A manutenção do plano de saúde para idosos é fundamental para que a mulher na idade avançada tenha acesso aos exames de prevenção do câncer de mama. Os exames de diagnóstico por imagem devem ser feitos anualmente em mulheres com mais de 50 anos. Entre as mais jovens, a vigilância por meio do autoexame de mamas ajuda a observar eventuais anormalidades.

Pele

O câncer de pele não melanoma é um dos mais comuns entre os idosos, principalmente naqueles de etnia branca, já que a defesa natural é menor na pele clara. As estatísticas são preocupantes, pois o Instituto Nacional do Câncer (INCA) afirma que o tipo dermatológico já ultrapassa mais de 30% dos casos de tumores malignos confirmados no Brasil.

Os principais sintomas são sinais avermelhados que evoluem para feridas, verrugas na face e ferimentos de difícil cicatrização. O uso habitual de protetor solar, chapéus e sombrinhas pode prevenir a doença. O tratamento varia de remoção cirúrgica ao uso de radioterapia ou quimioterapia.

Pulmão

Esse tipo de câncer é o mais comum entre os tumores malignos e, segundo o INCA, há um aumento anual de 2% em sua incidência mundial. A doença afeta igualmente homens e mulheres, principalmente os fumantes, que são o maior grupo de risco para a doença. Dada a importância da relação entre o câncer de pulmão e o tabagismo, esse tumor é considerado uma das principais causas de morte evitável. Os sinais da doença revelam dificuldade respiratória, tosse com pigarro e, nos casos graves, feridas na faringe e na laringe.

Estômago

O câncer de estômago costuma surgir após os 65 anos de idade e é mais comum na classe masculina. A doença está relacionada a fatores como hábitos alimentares inadequados, influência genética, herança familiar, alcoolismo e tabagismo. As primeiras manifestações da doença são as dores abdominais, azia e dificuldade de digestão. Posteriormente surgem acúmulos de gases intestinais, cólicas e, no estágio mais avançado, há a presença de sangue nas fezes. 

Evitar alimentos processados, bebidas alcoólicas e cigarros pode retardar esse tipo de câncer. Como em todos os tipos de câncer, o diagnóstico precoce reduz os riscos de morte. As intervenções mais utilizadas são a remoção da parte afetada do estômago ou os tratamentos quimioterápicos. 

Pâncreas

Os tumores de pâncreas também figuram entre os mais comuns na terceira idade. Geralmente, acometem pessoas acima dos 60 anos. A maioria dos tumores origina-se no tecido glandular, sendo classificados como malignos e de difícil recuperação. Uma das principais características desse tipo de câncer é a dificuldade de detecção. Esse fator faz com que o câncer de pâncreas apresente altas taxas de mortalidade, já que o diagnóstico tardio contribui para o seu comportamento agressivo.

Os sintomas mais comuns do câncer de pâncreas são dores abdominais agudas e muita dificuldade de digestão. Mais comum em homens, a doença pode ser evitada por meio de hábitos alimentares saudáveis e a redução do consumo de bebidas alcoólicas e de cigarros. 

Cólon e reto

O câncer que atinge o cólon e o reto é uma doença bastante comum na idade avançada. Quando a intervenção terapêutica ocorre no estágio inicial da doença, as chances de cura são bem maiores. Os principais sintomas são dores abdominais e na região do reto. Também são comuns queixas de dificuldade para defecar. No grau mais avançado, a região anal fica bastante sensível e pode sangrar.

Quando a doença é benigna, o tratamento do câncer colorretal também pode exigir intervenção cirúrgica para remover a área afetada pela doença. Nos casos mais graves, a melhor opção é o processo quimioterápico.

Aprenda a lidar com idosos com câncer

Mesmo na terceira idade, o câncer ainda é um problema que assusta bastante. Logo, se você é responsável por um idoso que foi diagnosticado com essa doença é preciso se preparar psicologicamente para ajudá-lo a lidar com a situação. Nesse contexto, conhecer um pouco sobre as características dos diferentes tipos de câncer que atingem idosos assegura o empoderamento necessário para vencer a doença.

Além do mais, essas informações são valiosas também para nortear possíveis mudanças estruturais nesses dados e melhorar a qualidade de vida do paciente. Entretanto, em qualquer fase da vida, o tratamento contra o câncer desafia o paciente, seus familiares e a equipe médica responsável.

Diante disso, destacamos algumas sugestões importantes para minimizar o impacto do câncer em idosos. Confira:

  • cuide da saúde emocional do idoso;

  • evite deixar o idoso muito ocioso e incentive a autonomia dele;

  • considere as características mentais e físicas típicas do envelhecimento;

  • contrate um profissional cuidador para ajudar nas tarefas mais importantes;

  • faça caminhadas leves e incentive-o a passear em shoppings ou em locais que ele aprecie;

  • estimule o envolvimento em atividades intelectuais, como jogos, leitura e similares;

  • estimule a interação dele com grupos e programas culturais voltados para a terceira idade;

  • converse com ele e explique que a doença tem cura, e que o pensamento positivo influencia a recuperação.

Saiba a importância de contar com a ajuda de cuidadores de idosos

Dada a complexidade que envolve o envelhecimento, encarar o diagnóstico de câncer torna-se muito difícil para o idoso. O desajuste psicológico aumenta a ansiedade, e os pensamentos negativos — acentuados pelo medo da morte — dificultam a resposta ao tratamento e elevam o risco de morte.

Logo, o paciente idoso com câncer necessita de atenção e de cuidado integral, principalmente no que se refere ao aspecto emocional. Como nem sempre é possível manter a presença constante dos familiares, a contratação de um cuidador de idosos torna-se uma excelente opção. Esse profissional é habilitado para oferecer todo o suporte adequado à superação dos desafios exigidos pelo tratamento do câncer na terceira idade.

Para pacientes acamados — ou fragilizados pelo avanço da doença —, contar com a ajuda de um acompanhante é essencial nesses momentos. O cuidador de idoso pode auxiliar na higiene pessoal, na alimentação, na organização da rotina e na administração dos medicamentos. Além do preparo técnico para prover os cuidados mais importantes, o apoio profissional ajuda a recuperar a estabilidade emocional do idoso, além de deixar os familiares bem mais tranquilos.

Como vimos, ainda que o câncer seja uma das doenças mais temidas pela humanidade, a adoção de um estilo de vida mais equilibrado pode mudar essa realidade. Também é importante adquirir informações para identificar precocemente os sintomas e, se necessário, iniciar o tratamento o quanto antes.

Assim como em todas as doenças, a dinâmica do câncer em idosos também pode ser freada com medidas de educação preventiva. Logo, o poder transformador da educação torna-se um componente estratégico ideal para efetivar ações de prevenção e de fomento ao controle do câncer no país.

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