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A incontinência urinária durante a terceira idade é um problema bastante comum. No entanto, o médico, o cuidador de idosos e/ou os responsáveis familiares devem abordar esse assunto com bastante delicadeza e cautela para não afetar o lado emocional do idoso. 

Como um sinal típico do envelhecimento, a sensibilidade às palavras, gestos e ações torna-se mais aflorada. Nessa fase, tratar de assuntos delicados exige habilidade para que as tentativas de resolução de problemas não evoluam para situações desagradáveis.

Mediante isso, ter conhecimento sobre temas como a incontinência urinária é essencial para direcionar o tratamento mais adequado e melhorar a qualidade de vida do idoso.

Confira, então, os tipos e as causas da incontinência urinária e conheça também as melhores intervenções para reduzir o impacto desse problema. Boa leitura!

Quais os tipos de incontinência urinária?

Ainda que possa surgir em qualquer fase da vida, normalmente a incontinência urinária aparece após os 50 anos e afeta principalmente as mulheres. No idoso, o problema pode ser classificado em três tipos. Acompanhe!

Incontinência urinária por esforço

Apresenta-se devido o enfraquecimento da musculatura pélvica. Com isso, a bexiga não tem força suficiente para reter o volume urinário. Nessa condição, eventos como tosses, espirros, longas risadas ou qualquer esforço físico pode forçar a musculatura da bexiga e provocar a perda involuntária da urina.

Incontinência urinária de urgência 

É caracterizada por situações em que o idoso sente vontade repentina de urinar, sem que a bexiga esteja cheia. Por conseguinte, há o gotejamento de urina antes mesmo que ele consiga chegar ao banheiro.

Incontinência urinária mista

Esse tipo de incontinência está associado aos dois outros tipos. Entretanto, a característica mais significativa é a incapacidade de controlar o escape de urina pela uretra. Se não tratada adequadamente, essa dificuldade pode evoluir para situações mais graves. 

Como reduzir os impactos da incontinência urinária em idosos?

Buscar medidas para reduzir as consequências resultantes da incontinência urinária é fundamental, já que o problema vai além de uma simples questão física. Há, infelizmente, uma visão influenciada pelo preconceito que envolve a situação. Por conseguinte, isso pode causar grandes constrangimentos e isolamento social do idoso. Além de afetar a autoestima, ainda eleva o risco do quadro evoluir para transtornos de ansiedade ou depressão.

Porém, é possível amenizar esses agravantes por meio de intervenções terapêuticas específicas que podem garantir êxito nos tratamentos, deixando o idoso mais confortável. Há diversas alternativas medicamentosas, fisioterápicas, opções de cirurgia ou medidas como a adoção de fraldas geriátricas ou absorventes. Conheça algumas delas!

Tratamentos tradicionais

Dependendo da gravidade do caso, pode ser necessário um tratamento mais completo e prolongado. Os tipos de tratamentos mais indicados são:

Farmacológicos

Há uma infinidade de medicamentos que objetivam o controle fisiológico dos mecanismos reguladores do trato urinário. Porém, o tratamento medicamentoso pode exigir uso contínuo e ainda provocar efeitos colaterais, como boca seca, vermelhidão na face, dores de estômago e prisão de ventre.

Cirurgias

As opções cirúrgicas podem garantir excelentes resultados, desde que sejam realizadas mediante um diagnóstico preciso. Também é imprescindível a escolha de métodos seguros para evitar efeitos colaterais, como infecções na pelve ou mesmo na bexiga. A maioria desses procedimentos são pouco invasivos, mas exigem uma avaliação criteriosa das condições físicas do idoso. Implantação de sling, esfíncter urinário artificial e a inserção de estruturas como marca-passo de bexiga são os mais utilizados.

Além desses, há alternativas de procedimentos cirúrgicos que objetivam o reforço da musculatura da região púbica. Entre os mais comuns destaca-se a aplicação de toxina botulínica específica para a reversão desse problema.

Intervenções não medicamentosas

O acompanhamento com um geriatra é fundamental para a determinação do diagnóstico correto e a indicação do melhor tratamento. Em algumas situações, a opção por intervenções não medicamentosas ou cirúrgicas pode representar soluções viáveis. Confira!

Treinamento da bexiga

Nos casos mais simples pode-se tentar — como alternativa de controle da micção  o treinamento da bexiga. Para tanto, é preciso estabelecer uma conversa aberta com o idoso, explicando sobre a importância de aumentar os intervalos para ir ao banheiro. Desse modo, a bexiga pode ser treinada e fortalecida a suportar maior volume de urina. Porém, essa técnica só deverá ser aplicada em idosos saudáveis e capazes de compreender que o objetivo maior é melhorar seu bem-estar e a qualidade de vida.

Fortalecimento do assoalho pélvico

Para minimizar os efeitos da perda involuntária de urina durante a terceira idade, alguns procedimentos podem ser benéficos. Por meio de exercícios físicos específicos ou com atividades de fisioterapia é possível fortalecer a musculatura do assoalho pélvico. Durante o envelhecimento, a degeneração celular e tecidual é gradativa e reduz a função dos órgãos. Ainda que não possa retardar o processo fisiológico, esse tipo de atividade é uma forma de prevenção da incontinência urinária.

O fortalecimento é importante porque as fibras musculares da pelve são responsáveis pelo controle da uretra durante a micção. Os exercícios podem reduzir a flacidez das fibras e tornar a musculatura mais resistente para reter o volume urinário por mais tempo.

Uso de fraldas geriátricas

A opção pelas fraldas geriátricas é uma ótima alternativa para reduzir os impactos negativos decorrentes da incontinência urinária no envelhecimento. A fralda é importante — sobretudo para a incontinência por urgência  porque evita a perda urinária no trajeto até o banheiro. Todavia, é preciso abordar esse assunto com cuidado e evitar situações ou comentários que deixem o usuário de fraldas magoado. Muitos idosos têm a autoestima reduzida devido à necessidade de usar fraldas. Alguns podem até mesmo oferecer resistência a essa alternativa. 

Além da perda da autonomia, eles veem como maior problema o fato de alguém saber que estão nessa condição. No entanto, esse comportamento é característico da idade e pode ser contornado por meio de um diálogo carinhoso e gentil.

Percebe-se, então, que é possível contornar os impactos negativos decorrentes da incontinência urinária. A atenção, o cuidado e a adoção das terapias adequadas podem sinalizar o controle desse problema e tornar o cotidiano do idoso mais saudável e tranquilo. 

Gostou deste artigo? Quer aprender mais sobre os problemas comuns do envelhecimento? Então, veja também o que você precisa saber sobre infecção urinária em idosos!

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